domingo, 29 de novembro de 2015

A Chegada de Paulo a Roma

Ao longo da Via Ápia, muito provavelmente, Paulo e seus companheiros viajaram até Roma. Ao chegarem, "o centurião entregou os presos ao capitão da guarda*; mas a Paulo se lhe permitiu morar por sua conta à parte, com o soldado que o guardava." (Atos 28:16). Embora ele não tenha sido libertado do constante aborrecimento de estar acorrentado a um soldado, todas as indulgências permitidas a um prisioneiro lhe foram concedidas.

{* O sábio e humano Burrus era prefeito da guarda pretoriana quando Júlio chegou com seus prisioneiros. Ele era um romano virtuoso e sempre tratou Paulo com grande consideração e gentileza. - Dicionário de Biografias do Dr. Smith }

Paulo tinha agora o privilégio "de anunciar o evangelho aos que estavam em Roma" (Romanos 1:15); e prosseguiu sem demora a agir de acordo com sua regra divina: "primeiro aos judeus". Ele chama os principais dos judeus e explica a eles sua verdadeira posição. Ele lhes assegura que não tinha cometido ofensa alguma contra sua nação, ou contra os costumes dos pais, mas que ele tinha sido trazido a Roma para responder a certas acusações feitas contra ele pelos judeus na Palestina: e tão infundadas eram acusações, que até mesmo o governador romano estava disposto a libertá-lo, mas os judeus se opunham à sua liberdade. De fato era, como ele disse, que "pela esperança de Israel estou com esta cadeia". (Atos 28:20). Seu único crime tinha sido sua firme fé nas promessas de Deus a Israel através do Messias.

Os judeus romanos, em resposta, asseguraram a Paulo que nenhum relato sobre os preconceitos sofridos tinha chegado a Roma, e que eles desejavam ouvir dele mesmo uma declaração de sua fé; e além disso, que em toda parte se falava mal dos cristãos. Um dia foi então marcado para um encontro em seu próprio aposento. Na hora marcada muitos vieram, "aos quais declarava com bom testemunho o reino de Deus, e procurava persuadi-los à fé em Jesus, tanto pela lei de Moisés como pelos profetas, desde a manhã até à tarde." (Atos 28:23). Mas os judeus em Roma, assim como em Antioquia e Jerusalém, foram tardios de coração em crer. "E alguns criam no que se dizia; mas outros não criam." (Atos 28:24). Mas quão séria e incansavelmente ele trabalhava para ganhar seus corações para Cristo! De manhã até à tarde ele não apenas pregava a Cristo, mas procurava convencê-los a respeito dEle. Ele procurou, podemos estar certos, persuadi-los a respeito da Divindade e humanidade do Senhor - Seu perfeito sacrifício - Sua ressurreição, ascensão e glória. Que lição e que assunto para o pregador em todas as épocas. Persuadir homens a respeito de Jesus desde a manhã até à tarde.

A condição dos judeus é agora posta diante de nós pela última vez. O juízo pronunciado por Isaías estava para cair sobre eles em todo o seu poder fulminante - um juízo sob o qual permanecem até hoje - um juízo que deve continuar até que Deus se interponha para dar-lhes arrependimento, e para livrá-los por Sua graça à glória de Seu próprio nome. Mas, em meio a tudo isso, "a salvação de Deus é enviada aos gentios, e eles a ouvirão." (Atos 28:28), e, como sabemos - bendito seja Seu nome - eles ouviram, e nós mesmos somos testemunhas disso. *

{* Veja Estudos Introdutórios ao Livro de Atos, por W. Kelly}
"E Paulo ficou dois anos inteiros na sua própria habitação que alugara, e recebia todos quantos vinham vê-lo; pregando o reino de Deus, e ensinando com toda a liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum." (Atos 28:30,31)

Estas são as últimas palavras de Atos. A cena na qual as cortinas se fecham é bastante sugestiva - a oposição da incredulidade judaica quanto às coisas relacionadas à salvação de suas almas sugerem, infelizmente, o que em breve se abateria sobre eles. E aqui, também, acaba a história desse precioso servo de Deus, até onde nos foi diretamente revelada. A voz do Espírito da verdade sobre este assunto torna-se silenciosa. O conhecimento que temos sobre a subsequente história de Paulo deve agora ser coletado quase que exclusivamente de suas próximas epístolas. E delas aprendemos mais que mera história: elas nos dão um bendito vislumbre dos sentimentos, conflitos, afetos e simpatias do grande apóstolo, e da condição da igreja de Deus em geral, até o momento de seu martírio.

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