Loading [MathJax]/jax/output/HTML-CSS/config.js
Mostrando postagens com marcador príncipes deste mundo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador príncipes deste mundo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 22 de agosto de 2024

As "Cem Queixas"

O partido papal se levantou em uníssono, clamando por vingança contra Lutero; mas a maioria dos príncipes seculares julgou que havia chegado o momento de se libertarem do fardo e da servidão de Roma, sob a qual haviam gemido por tanto tempo, e contra a qual tantas vezes se queixaram, mas sem sucesso. Assim foi que, enquanto defendiam as doutrinas da Reforma, prepararam o memorial das "Cem Queixas", tão célebre nos anais da Alemanha.

O contraste entre os elementos seculares e espirituais tornou-se então evidente no grande movimento da Reforma, embora ambos agissem juntos para a humilhação e queda do opressor universal. Já não se tratava do monge solitário e desamparado enfrentando, no poder de Deus e de Sua verdade, o Golias do papado, ou das pacíficas vitórias de Worms, mas sim de contendas políticas iradas e empreendimentos militares. A luz e a verdade de Deus, em conexão com a Reforma, parecem ter sido interrompidas neste período de sua história. Falhamos em perceber qualquer avanço na compreensão da verdade pelos Reformadores a partir do momento em que os príncipes começaram a expandi-la pela espada. Embora Lutero fosse um homem de fé genuína, não conseguiu perceber os efeitos da cooperação dos príncipes em prol de seus próprios interesses egoístas. Isso, porém, causou uma devastação espiritual nos resultados e triunfos da fé.

Não é necessário enumerar as "Queixas" aqui; elas eram principalmente de caráter eclesiástico, e tais que todas as outras nações da cristandade também sofriam. Tributação opressiva, cobranças perpétuas de dízimos sob falsos pretextos, a intrusão de cardeais nos melhores benefícios, a ignorância e total incapacidade dos pastores residentes, a perniciosa abundância de festivais, a profusão de absolvições e indulgências, as extorsões do clero para a administração dos sacramentos; de fato, a venalidade universal das coisas sagradas e a imoralidade generalizada da ordem espiritual. "Mas, embora o objetivo dos príncipes" diz Waddington, "fosse apenas reformar os aspectos externos da igreja, enquanto o de Lutero era regenerar a religião a qualquer custo para a igreja, ainda assim, a diversidade de suas visões pode não ter sido perceptível a ambos naquele momento, devido ao ardor de um ódio comum e, até certo ponto, uma causa comum."* No entanto, podemos acrescentar, os resultados foram desastrosos para o progresso da luz e da verdade.

{*Dean Waddington, vol. 2, pp. 43-45.}

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Os Reinados de Adriano e dos Antoninos (do ano 117 ao 180 d.C.)

Embora seria injusto classificar Adriano e o primeiro Antonino com os sistemáticos perseguidores da igreja, ainda assim os cristãos foram expostos aos mais violentos sofrimentos e morte durante o domínio deles. O costume cruel de atribuir todas as calamidades públicas aos cristãos, e de pedir pelo sangue deles como expiação para as divindades ofendidas, continuavam, e eram geralmente cedidas pelos governantes locais, e não controladas pelos indiferentes imperadores. Mas sob o reinado do segundo Antonino, Marco Aurélio, o espírito maligno da perseguição aumentou drasticamente. Não era mais confinada às explosões da fúria popular, como também era encorajada pelas mais altas autoridades. A tímida proteção que os decretos ambíguos de Trajano, Adriano e dos Antoninos proporcionavam aos cristãos foi retirada, e as excitadas paixões dos pagãos idólatras não foram refreadas pelo governo. É de grande interesse para o estudante da história da igreja ver como isso podia acontecer sob o reinado de um príncipe que se distinguia pela aprendizagem, filosofia e suavidade geral de caráter.

Os últimos sessenta anos de relativa paz tinha aberto um amplo campo para a propagação do evangelho. Durante esse período houve rápido progresso de muitas maneiras. As congregações cristãs aumentaram em número, influência e riqueza por quase todos os cantos dos domínios romanos. Muitos dos ricos, sendo cheios do amor divino, distribuíam o que tinham aos pobres, viajavam para regiões que ainda não tinham ouvido o som do evangelho e, tendo ali plantado o cristianismo, seguiam para outros países. No entanto, o Espírito Santo não podia trabalhar sem despertar os ciúmes e agitar toda a inimizade dos apoiadores da religião nacional. Aurélio viu com maus olhos o poder superior do cristianismo sobre as mentes dos homens comparado com sua própria filosofia pagã. Ele se tornou, então, um intolerante perseguidor, e encorajou as autoridades provinciais a esmagar o que ele considerava um obstinado espírito de resistência a sua autoridade. Mas o evangelho da graça de Deus estava muito além do alcance de Aurélio, e nem sua espada nem seus leões poderiam prender sua triunfante carreira. Apesar das sangrentas perseguições que ele excitava ou sancionava, o cristianismo era propagado por todo o mundo conhecido.

Mas aqui devemos fazer uma breve pausa para olhar a nossa volta. Há algo muito mais profundo na mudança do governo em relação à igreja do que o mero olhar histórico pode discernir. Cremos estar chegando ao fim do primeiro período e início do segundo período da igreja na terra.

Postagens populares